A semana está quase começando, ou melhor, começou, afinal hoje é domingo, primeiro dia da semana e Deus descansou, eu não, continuo pensando na palestra de quinta feira, Brusque-SC. A inspiração vem de todas as maneiras, cada reflexão aparentemente surreal, mas, pensando de maneira lúdica, pode ser que seja a melhor palestra, afinal falar mais que o homem da cobra é coisa de vendedor, e quem não é?
Fui ao centro de São Paulo, comigo Diego, Andrez e Sebastian, nada programado, fiz os chilenos sair da rotina de ficar em casa na Internet o dia todo. Acordei cedo, acelerando a todos como em família, afinal, moram entre amigos é preciso criar laços peculiares que nos trazem lembranças para afagar a saudade de casa.
Fomos a um cliente e de lá, iríamos voltar pra casa, mas meu senso crítico e silencioso fez mais uma vez seu papel, sem destino, sem programação, a única tormenta eram as perguntas: – Onde estamos indo? O que vamos fazer? Irritantes, fico calado e, as perguntas aumentam: – Está tudo bem? Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh CARALHO! Só estou buscando inspiração para a palestra!
Centro, edifício Altino Arantes – (aquele prédio do ” banespa”) – subimos, eu já subi, fui fazer umas imagens para uma outra palestra, um vídeo com o Marquinho, baixa qualidade, mas a mensagem valeu a pena, outra história de inspiração. Vou postar o vídeo.
Então fui explicando onde está o norte, o sul, leste e quando apontava o oeste, por ali turista, um casal de Cusco-Perú, encontrei meu norte, lembrando 2005 a travessia que fiz desde Lima até Buenos Aires, passando pela sagrada Macchu Picchu.
Cinco minutos mais observando a babilônia, descemos, e nada de inspiração, reflexão talvez, recordações e, por um instante, parecia ter pensado nisso antes! Em frente ao Altino Arantes a BMF (bolsa de marcadorias e futuros), curiosidade, já que a bovespa não tem mais aquela “bagunça organizada” do pregão, lembrança ativa outra vez, época da faculdade de comércio exterior, Franca, a galera caipira na capital, tempo bom.
Passamos pelo sensor de metal, e logo estávamos de frente ao futuro, um vidro que separa os “animais”, risonhos, com coletes vermelhos e, muito engraçado, os que negociam dólar vestem verde, cotação 2,04, o mais alto em dez anos. Não paga a busca por inspiração, saímos e na rua XV de novembro o Ivan Valente, candidato a prefeito de São Paulo, esquerda, conversamos com ele , lembranças, ele falava da ditadura! Não sei, mas parece que todo candidato de esquerda fala desta época, eu queria perguntar muitas coisas, ele falou do Chile e, nós falamos do conquistando o fim do mundo, para ele entender o que o Andréz e Sebatian fazem aqui, prevendo o futuro.
Um pouco mais à frente, aquela roda de gente, curiosos, “desocupadas”, desempregados, pensei em voltar e chamar o Ivan Valente, mas já estava em processo de transe, talvez ele não seja tão valente, e os sinais da inspiração começam com a vertigem de transe, passo a passo, começo fechando a audição, me concentro no visual, observo as pessoas, mas ainda existem tormentas, cada marca de expressão, faço um mapeamento do vestuário, atento a acessórios, olhos os pés, as mãos. Ativo o olfato, levemente permito apenas o som do “vendedor” entrar, promete aparecer uma cobra do saco, ativo a lembrança, vem o monólogo do Lirinha – mercadoria e futuros – não é a BMF. Ele conta que foi na Praça da Sé tentar vender o livro, diz ser profeta, diz prever o futuro, usando ludicamente o exemplo da manipulação, “hipnotizado” sua platéia com belas ferramentas auditivas, sinestésica e visual. Abri levemente todos os sentindo, voltei, ao lado o Sebastian com a cara de vamos embora! O Andréz tentando entender e o Diego rindo.
Vendedor:
- Está cobra vai sair aqui deste saco, e ela pode me picar, olha só, pega ai a pomadinha.
Então sua assistente entrega à pomadinha.
Vendedor:
- é da Amazônia, e é boa pra picada de inseto, dor de cabeça, é só passar na testa, esfregar, e cheirar três vezes a mão.
Momento reflexão voltou à fita. Sabe como fazíamos no vídeo cassete, voltando à fita do jeito que estraga tudo, com ela no play para marcamos a cena exata? Imagine, estou andando para trás, Ivan Valente, BMF, Norte, sul, leste o casal de Cusco, (abre uma imagem de lembrança), elevador, saguão, trânsito, casa, eu na cama, abri os olhos. Pronto! Voltamos para o homem da cobra! Por que não pensei nisso antes, lembrei do livro que tenho da exame (Allyn Freeman e Bob Golden) - As origens bizarras das invenções mais geniais e indispensáveis. Devo admitir, o homem da cobra fala pra caralho! Entendi porque sempre faziam piadas comigo dizendo que eu falo mais que o homem da cobra, acho que é mal de vendedor, aliás, quem não é vendendor?
A inspiração está formatada, domingo, acordei às 8 da manhã, isso porque não sai no sábado, embora muitos “diabinhos” zuniam ao pé do ouvido. Escrevo este primeiro post no novo blog, aqui no wordpress, ainda me familiarizando e aprendendo a mexer, tormenta, vou pedir dicas a Lulu, ela é fera, aliás, ela é inspiração, seu wordpress é lindo www.tormentartimica.wordpress.com
Continuo em processo embrionário de inspiração, aos poucos voltando a fita, na história cotidiana de personagens reais, formatos minhas inspirações, mesmo que estas sejam surreais. Ah, e a palestra em Brusque, acho que vou voltar ao centro, comprar uma pomadinha, um saco, uma cobra de brinquedo, e uma cartola, tentarei vender o futuro, mostrando tendências, aproximando mundos, reais e lúdicos.
Boa semana a todos
Ernani Baraldi